Ingratidão

March 5, 2018

 

     No capítulo 16 do livro de Ezequiel, Deus faz uma comparação da ingratidão do povo de Israel, colocando-Se como Marido do Seu povo, que é representado pela esposa. Ele fornece os detalhes de como o encontrou, o investimento que fez nele e como essa união foi firmada por meio de uma aliança. Porém, os hebreus se esqueceram disso. Eles não tinham uma linhagem nobre para reivindicarem ou se orgulharem, pois seus pais eram pagãos (v.3). Quando o Senhor escolheu Abraão, em Ur dos caldeus, ele ainda era um idólatra em meio a uma terra corrompida. E a cidade de Jerusalém sequer foi fundada originalmente pelos hebreus, mas pelos povos pagãos de Canaã. A origem da nação de Israel, representada por Jerusalém, é comparada a uma criança indesejada, que foi desprezada sem os cuidados mínimos que se dá a um recém-nascido. O cordão umbilical não foi cortado; não foi lavada e purificada; não foi esfregada com sal, conforme o costume praticado quando as crianças eram dedicadas a Deus; e estava despida (v.4). Tornou-se rejeitada publicamente e atirada ao mundo, sem a compaixão de ninguém (v.5). Só lhe restava a morte.

     O relato impressionante de Deus continua. Ele Se compara a um homem que anda pelo campo e ouve o choro daquela menina abandonada, envolvida ainda no sangue do seu nascimento, a quem decide garantir-lhe a vida (v.6). Essa criança representava os hebreus, outrora escravizados e desprezados no Egito, que viviam na condição mais miserável possível. Se não fosse o cuidado Divino, teriam sido completamente extintos. De maltratados, agora tornaram-se especiais e muito bem cuidados. Foi tanta dedicação dispensada a eles que cresceram e se fortaleceram. A menina, então, tornou-se uma bela donzela (v.7). Deus estende Seu manto para lhe cobrir e proteger. Sela-se assim, com um juramento, o Seu casamento com ela (v.8). Em contraste com o infortúnio que Israel vivia, agora eram um povo a quem nada faltava. Os hebreus receberam a glória Divina; a instrução (Lei de Moisés); a terra prometida; a dignidade; a proteção e a garantia de fidelidade perpétua. A antiga condição de nudez e humilhação deu lugar às vestes bordadas e finas e possuíam os melhores calçados nos pés (v.9,10). Foram enfeitados com a riqueza das joias e nutridos com o alimento mais fino da agricultura (v.11-13). Tornaram-se a nação de maior reputação e esplendor do mundo (v.14).

     Assim, aquela rejeitada tornou-se uma rainha. Mas não foi leal ao seu Marido, pois Lhe retribuiu com ingratidão e infidelidade tudo o que fez por ela. Não cometeu adultério apenas uma vez, mas assumiu a postura de uma prostituta profissional que se oferecia para todos os homens. Israel foi capaz de usar a beleza e os presentes recebidos do Altíssimo para atrair e se deitar com seus amantes. Sua corrupção começou com o rei Salomão, que se casou com várias mulheres estrangeiras, fez alianças com povos pagãos e inimigos e levou a idolatria a toda a nação (v.15-19).

A apostasia espiritual foi tão grande que os pais tiravam a vida de seus próprios filhos em oferta aos seus deuses, a antiga prática pagã do infanticídio 2 Reis 21.6; Jeremias 7.31.

Deus identifica a causa da queda: o fraco coração estava cego pela altivez de suas conquistas (v.30). O orgulho e a ingratidão não lhe deixavam perceber os caminhos perigosos por onde andava e perdeu o total controle de suas ações. Da mesma forma, devemos nos lembrar de que, como Israel, éramos pessoas sem nenhuma perspectiva de futuro. Vivíamos ao léu deste mundo até sermos recebidos e conduzidos à posição mais privilegiada que existe: filhos do Altíssimo. Ele tratou nossas feridas e conflitos interiores. Investiu Sua Vida na nossa. Mas, todo investimento visa ao retorno, e o que Ele deseja é somente a fidelidade a Sua Palavra.

     Tudo aquilo que recebemos como resultado da nossa união com Deus deve ser usado para servi-lO. Não são poucos aqueles que têm vivido e desfrutado das dádivas Divinas como o seu tempo, saúde, prosperidade, reputação, inteligência etc. Mas em vez de usarem para Deus, usam apenas para si mesmos.

      O povo de Israel caiu porque não atendeu às repreensões Divinas. Deus jamais fica de braços cruzados ao ver Seus filhos caminharem para a perdição. Sua repreensão é prova do Seu amor como Pai. Ele não deseja comunhão conosco somente dentro dos templos, mas caminhar e viver no dia a dia como num casamento. Quanto mais profundo é o abismo de onde fomos resgatados, maior deve ser a expressão da nossa gratidão, fidelidade e respeito para com Aquele que nos resgatou. O preço da ingratidão e infidelidade de Israel custou a presença Divina em seu meio, sua liberdade, sua terra, o Templo e muitas vidas.

 

“Assim diz o SENHOR Deus a Jerusalém: A tua origem e o teu nascimento procedem da terra dos cananeus; teu pai era amorreu, e tua mãe, heteia. Quanto ao teu nascimento, no dia em que nasceste, não te foi cortado o umbigo, nem foste lavada com água para te limpar, nem esfregada com sal, nem envolta em faixas. Não se apiedou de ti olho algum, para te fazer alguma destas coisas, compadecido de ti; antes, foste lançada em pleno campo, no dia em que nasceste, porque tiveram nojo de ti. Passando eu por junto de ti, vi-te a revolver-te no teu sangue e te disse: Ainda que estás no teu sangue, vive; sim, ainda que estás no teu sangue, vive. Eu te fiz multiplicar como o renovo do campo; cresceste, e te engrandeceste, e chegaste a grande formosura; formaram-se os teus seios, e te cresceram cabelos; no entanto, estavas nua e descoberta. Passando eu por junto de ti, vi-te, e eis que o teu tempo era tempo de amores; estendi sobre ti as abas do meu manto e cobri a tua nudez; dei-te juramento e entrei em aliança contigo, diz o SENHOR Deus; e passaste a ser minha. Então, te lavei com água, e te enxuguei do teu sangue, e te ungi com óleo. Também te vesti de roupas bordadas, e te calcei com couro da melhor qualidade, e te cingi de linho fino, e te cobri de seda. Também te adornei com enfeites e te pus braceletes nas mãos e colar à roda do teu pescoço. Coloquei-te um pendente no nariz, arrecadas nas orelhas e linda coroa na cabeça. Assim, foste ornada de ouro e prata; o teu vestido era de linho fino, de seda e de bordados; nutriste-te de flor de farinha, de mel e azeite; eras formosa em extremo e chegaste a ser rainha. Correu a tua fama entre as nações, por causa da tua formosura, pois era perfeita, por causa da minha glória que eu pusera em ti, diz o SENHOR Deus. Mas confiaste na tua formosura e te entregaste à lascívia, graças à tua fama; e te ofereceste a todo o que passava, para seres dele. Tomaste dos teus vestidos e fizeste lugares altos adornados de diversas cores, nos quais te prostituíste; tais coisas nunca se deram e jamais se darão. Tomaste as tuas joias de enfeite, que eu te dei do meu ouro e da minha prata, fizeste estátuas de homens e te prostituíste com elas. Tomaste os teus vestidos bordados e as cobriste; o meu óleo e o meu perfume puseste diante delas. O meu pão, que te dei, a flor da farinha, o óleo e o mel, com que eu te sustentava, também puseste diante delas em aroma suave; e assim se fez, diz o SENHOR Deus. Demais, tomaste a teus filhos e tuas filhas, que me geraste, os sacrificaste a elas, para serem consumidos. Acaso, é pequena a tua prostituição? Mataste a meus filhos e os entregaste a elas como oferta pelo fogo. Em todas as tuas abominações e nas tuas prostituições, não te lembraste dos dias da tua mocidade, quando estavas nua e descoberta, a revolver-te no teu sangue. Depois de toda a tua maldade (Ai, ai de ti! — diz o SENHOR Deus), edificaste prostíbulo de culto e fizeste elevados altares por todas as praças. A cada canto do caminho, edificaste o teu altar, e profanaste a tua formosura, e abriste as pernas a todo que passava, e multiplicaste as tuas prostituições. Também te prostituíste com os filhos do Egito, teus vizinhos de grandes membros, e multiplicaste a tua prostituição, para me provocares à ira. Por isso, estendi a mão contra ti e diminuí a tua porção; e te entreguei à vontade das que te aborrecem, as filhas dos filisteus, as quais se envergonhavam do teu caminho depravado. Também te prostituíste com os filhos da Assíria, porquanto eras insaciável; e, prostituindo-te com eles, nem ainda assim te fartaste; antes, multiplicaste as tuas prostituições na terra de Canaã até a Caldeia e ainda com isso não te fartaste. Quão fraco é o teu coração, diz o SENHOR Deus, fazendo tu todas estas coisas, só próprias de meretriz descarada. Edificando tu o teu prostíbulo de culto à entrada de cada rua e os teus elevados altares em cada praça, não foste sequer como a meretriz, pois desprezaste a paga; foste como a mulher adúltera, que, em lugar de seu marido, recebe os estranhos. A todas as meretrizes se dá a paga, mas tu dás presentes a todos os teus amantes; e o fazes para que venham a ti de todas as partes adulterar contigo. Contigo, nas tuas prostituições, sucede o contrário do que se dá com outras mulheres, pois não te procuram para prostituição, porque, dando tu a paga e a ti não sendo dada, fazes o contrário.” (Ezequiel 16)

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